Estimado filósofo-professor.

Não pretendo tomar seu crivado tempo nem quitá-lo de sua sadia acredulidade-partidária a respeito da questão "criacionismo e evolucionismo".
Sei que com seu arcabouço talvez esteja 100 passos, ao menos, adiante de minha modesta intervenção.

Se já sabe de que se trata o tema "motores da salmonela", por favor, não perca seu precioso tempo lendo minha mensagem.
Caso contrário, transcrevo um e-mail que enviei ao blog da revista "Veja", devido ao tratamento ilustre dado pelo excelentíssimo broqueiro Tony Bellotto ao pretender salvar a "sabedoria humana" alertando seus leitores e (des)educadores sobre uma "pseudo-ciência" chamada criacionismo.

A seguir, o artigo do broqueiro. Se preferir, pule-o. Não há quase nenhuma besteira da qual já não tenha lido ou ouvido a respeito sobre o assunto.

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"Atenção! Acendam as luzes da razão! Não deixem que a Idade das Trevas volte a eclipsar a sabedoria humana! Notícias dão conta que (sic) o criacionismo - doutrinação religiosa disfarçada de pseudo-ciência - cresce entre as escolas brasileiras. E não apenas no ensino religioso, onde (sic) faria algum sentido, mas nas aulas de ciência (sic).

Atenção, educadores! Professores, pais e estudantes! Teólogos, filósofos e livres-pensadores! Independente de suas convicções religiosas e não-religiosas, é preciso atenção ao fato. Ou problema (sic). Afinal, até mesmo a Igreja Católica, e suas mais conservadoras alas, reconhecem (sic) que é possível que religião e ciência convivam em paz. O que não se pode é misturá-las. O mesmo serve para a política. Por isso (sic) alerto aqui educadores em geral para a questão.

Me assusta saber que escolas tradicionais religiosas, como o Mackenzie, por exemplo, ou o Colégio Batista e a rede de escolas adventistas, estejam ensinando aos alunos a explicação cristã da criação do mundo junto com (sic) os conceitos da teoria evolucionista. Isso é um contra-senso (sic). Como é que, na cabeça dos alunos, Adão e Eva - ou seja lá qual for a explicação que o criacionismo dá ao surgimento dos humanos na Terra (SIC!!!!!!!!!!) - vão conviver com os macacos que nos antecederam na escalada evolucionista? Haverá lugar para todos no Paraíso? Haverá maçãs suficientes para que todos possam experimentar delas e serem expulsos do jardim do éden?

Não estarão estas escolas criando uma miscelânea perigosa e não científica nas cabeças dos estudantes? A troco de quê? Isaac Roitman, da Sociedade Brasileira pra (sic) o Progresso da Ciência, afirma: "É perfeitamente aceitável que o criacionismo seja apresentado como corrente que existe, mas está ligada à fé, enquanto a evolução é comprovada (sic) cientificamente". Nélio Bizzo, da USP, acrescenta: "Não há sentido em tentar provar a existência de Deus cientificamente". Fiquemos atentos. Como diz a sabedoria popular, cada macaco no seu galho. "
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Meu e-mail (escrito de sopetão; desculpe-me qualquer falha):

Mais um logocídio de Tony Bellotto Jan 12, '09 8:53 PM
for everyone
Post enviado à página: http://veja.abril.com.br/blog/cenas-urbanas/138123_comentario.shtml

Senhor ombudsman, senhores diretores e chefes de redação da Revista Veja. O blogueiro em questão não tem a mínima, mínima, MÍ-NI-MA noção do assunto a que se pretende atalaia: "Atenção! Acendam as luzes da razão!"
E entendo que não é só ele que padeça desse comportamento endêmico. O tema carece esclarescimento muito maior do que se supõe; sobretudo para quem pretende ditar regras e incitar movimentos sociais.
Tenho a CERTEZA de que o blogueiro não sabe o que ataca, nem tão pouco o que defende.
Ignorando as trevas em que são lançadas as expectativas de se compreender qual a lógica tética defendida pelo cavaleiro das maçãs perdidas, passemos a uma das partes que mais interessam.
O evolucionismo é uma hipótese de fraquíssima fundamentação empírica, recheado de fraudes e profunda comoção psicológica e imaginativa. Um exemplo ridículo do equívoco da hipótese é dado por um desafio lançado pelo próprio Charles Drawin - não é Gavin, a provável fonte do blogueiro - na página 166 do original de 'A origem das espécies por meio da seleção natural'
capítulo VI 'Difficulties on Theory': "Modes of Transition

If it could be demonstrated that any complex organ existed, which could not possibly have been formed by numerous, successive, slight modifications, my theory would absolutely break down. But I can find out no such case."
['Modos de transição. Se pudesse ser demonstrada a existência de qualquer órgão complexo, o qual não pudesse ter sido formado por meio de numerosas, sucessivas, pequenas modificações, minha teoria seria absolutamente destruída. Não encontrei nenhum caso assim.']

Pois bem, é necessário esclarecer que esse trecho não fundamenta (como contra-prova) apenas o darwinismo, mas sim toda e qualquer HIPÓTESE de evolucionismo (fundamental e absoluto).
Mr. Darwin e cia foram empiricamente derrotados - dentre outras inúmeras evidências - e já há algum tempo, por uma coisa de tamanho ínfimo, e não por um gigante da ciência ungido por Deus para livrar os crentes de um homem tão mal (ó céus! quanto a sabedoria não-humana temia a Darwin e seus sequazes).
Foi um dos Davis da biologia empírica, um ator real, embora, apenas uma bactéria muito famosa: a salmonela.
Salmonela é a designação "comum às bactérias, em forma de bastonetes, móveis, Gram-negativas, anaeróbias e flageladas, do gên. Salmonella, comuns na natureza, em animais e em alimentos" [cf. Houaiss].
Na verdade, são os 'motores' desse tipo de bactéria (apenas uma das inumeráveis evidências) que invalidaram a HIPÓTESE do evolucionismo (ou se preferirem, evolucionismo E darwinismo). E por quê?
Resumidamente, porque os 'motores' de bactérias desse tipo são subdivididos em 40 partes protêicas (10 partes protêicas existem num outro motor; 30 partes protêicas são únicas). E, 'voilá', se não houver apenas uma dessas partes presentes o mecanismo todo não funciona [doesn't work!, Darwins, Spencers, Bellottos et alii] (cf. http://www.pubmedcentral.nih.gov/articlerender.fcgi?artid=299320).
O Sr. Darwin, e inclusive o Sr. Hebert Spencer e Malthus (atenção, não é Viana, e nem Maltz, outros prováveis conselheiros do blogueiro), tinham conhecimentos suficientes a respeito da imensidão de novas informações que surgiriam com o desenvolvimento de ciências afins à micro-biologia (atual biologia molecular). E seus respectivos veredictos teriam sido suspensos se fossem intelectualmente dotados e/ou honestos.

É necessário comentar algo a respeito da precipitação de teorias semelhantes?
Ainda que deixemos de imputar algo a Darwin, Spencer e Malthus (ignorando toda a engenharia de contra-cultura que os embasa) - um bom leitor dos filósofos do século XIX sabe que o menos desonesto de todos os anticristãos intelectuais já enterrara o darwinismo há muito tempo - o mesmo não é possível ao blogueiro, pois se o cientista deve pisar em ovos para não induzir os menos experientes ao erro, um pretenso formador de opinião deve ter as 'mãos' mais limpas que a de um cirurgião.
Enfim, esse senhor, com seu cabedal para o debate compromete não só a Revista Veja, mas toda a editora Abril.

(A tese de especiação é compatível com o fato de que todo organismo carrega uma "carga" genética, a qual, conforme o meio, ativa-se ou se desativa. Na mais inocente das hipóteses, tal característica poderia induzir um 'biólogo phd' a confundir o arranjo dos dados observados - seja por ele ou por sua equipe - e desembocar em uma equívoca hipótese evolucionista).

Foi proposital o penúltimo parágrafo ser "politicamente correto". Um crime quase imperdoável, sei. Entretanto, adivinhe se foi publicado como comentário ou, então, respondido?

Há muito material a respeito de datação, estratificação, arqueologia, mineralogia, química orgânica, etc. que demonstram a fragilidade, senão, a empulhação de teorias evolucionistas.
Caso se interesse, posso enviar referências de vídeos bem didáticos, pois sei de sua corrida por tempo.

Contudo, peço desculpas, mais uma vez, se o experiente filósofo já ri de tal 'disputa', sabendo do emaranhado de todo o novelo.
É que, além disso, em minha cuca de aprendiz do pensar soa, por vezes, uma voz de teólogo dizendo que se, ao contrário, avançássemos o filme - ao invés de rebobiná-lo, como só se tem feito - em uma progressão histórica do evolucionismo, como fato, nada impediria, teoricamente (e já que estamos falando de teorias, creio que estou no terreno certo), de que, tanto pelo labor intelectual, como pelo empenho espiritual das virtudes e 'faculdades' beatíficas, transfigurar-nos-íamos, um dia, em Cristos. Contudo, anulando a necessidade da encarnação daquele que é considerado o Único. Porque em qualquer prática ascética, é possível frear os movimentos corporais e mentais - uma intervenção do espírito na matéria - sem a necessidade da revelação direta do transcendente absoluto para instaurar tais disciplinas.
Já que é uma questão de aperfeiçoamento e evolução com fins de adaptação ao meio, sobrevivência e melhoramento, e tudo isso na própria 'matéria'; por que essa evolução não atingiria, um dia, a intervenção (do atual) supranormal do 'espírito' na 'matéria' do próprio corpo, ou de outrem (organismo invasor em um adoecido, e.g.)? O evolucionismo seria apenas físico? Por quê? E se a tese é essa e também a de que o corpo é que dá estrutura para a mente/alma, mais capacitada ainda seria a alma no futuro.
Se, em contrapartida, abríssemos mão de todo rigor lógico e admitíssemos a alma como que com limites de desenvolvimento evolutivo; por que o corpo não o teria? E, assim, como defender o evolucionismo? Não seria apenas uma longa especiação? Além disso, como a mente/alma teria a percepção do próprio corpo em suas novas habilidades e arranjos, já que ela estaria limitada a percebê-lo integralmente e, assim, também com ele interagir?
Se esse for o palpite, por um lado seria mera quimera e, por outro - um monstro infinitamente maior -, aquilo que caracteriza a unicidade do messias, teria sido mero modelo inspirador e teríamos de rever o canon neo-testamentário. Mas essa é só um hipótese de voz de teólogo, professor... E talvez, de mau teólogo, por certo.

Minha sincera admiração e abraço.