Prezados amigos,
É com grande pesar que comunicamos o falecimento no dia 17 de novembro de Jorge Luiz Nicolodi, um colega do Seminário de Filosofia. Abaixo, o relato de sua morte enviado aos alunos do Seminário de Filosofia pelo seu amigo Ivan Chudzik.
Nossos sentimentos.
Olavo de Carvalho e equipe do Seminário de Filosofia.
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Na Missa, ele conversa com dois fiéis que organizam a celebração. Propõe-se até a comprar o livreto com o Ordinário do Rito, tirando uma nota de 50 reais do bolso. Claro que não aceitam a oferta, pois um exemplar daquele custaria menos de 3 reais. O dinheiro fica para a igreja da Ordem, e o livro ele leva gratuitamente. Ao perguntar pelo Rito Gregoriano, contando do seu interesse de implantá-lo em Guarapuava, os organizadores contam de que já há gente se envolvendo nesta tarefa. Prometem contactar um fiel guarapuavano para que Jorge possa se juntar ao grupo.
Foi assim que vim a conhecer o Jorge. Ele, aliás, estava impaciente, com uma "santa pressa" para que pudesse encontrar pessoas o quanto antes. Seu amor sincero e incondicional pela verdade não podia esperar mais.
Conversando com Jorge, impressionava-me ver a sua disposição em praticar o bem. Ele fazia planos faraônicos para Guarapuava: se fosse necessário, ele estava interessado até mesmo em contruir uma Capela para receber o Rito Gregoriano. Ele queria levar a boa Filosofia para a sua Faculdade, ou então fundar uma Associação de discussão filosófica. Como ele mesmo me dizia, não podíamos nos dar o direito de errar. A mentalidade revolucionária, o modernismo, o relativismo e liberalismo vencem há séculos. Temos poucas chances, e elas devem ser certeiras.
Quando nos reuníamos para estudar doutrina católica e rezar o Terço do Rosário, ele sempre foi o primeiro a chegar. Pontualíssimo. Quando conheceu o grupo pela primeira vez, ficou muito emocionado, de avermelharem-se de lágrimas os olhos dele. Finalmente ele encontrou pessoas dispostas a conhecer e lutar pela verdade, num mundo apático e desinteressado. Jorge tinha um amor supremo, estava disposto a tudo. A sua honestidade intelectual não tinha comparativos.
Segunda-feira, dia 16 de novembro, a urna com as relíquias de São João Bosco chega em Guarapuava. Fui à tarde na Catedral rezar. Mas, quando eu já ia embora, me veio um pensamento. Por que não avisar todo o grupo católico da Missa para rezármos um Terço diante da urna de Dom Bosco? Afinal, a oportunidade era única. Avisei 7 pessoas, das quais somente 3 puderam comparecer ao nosso encontro, enquanto que outras 3 foram em horários alternativos. Marcamos o Terço para o dia seguinte, na terça-feira, às sete horas, sendo que às oito e vinte a urna deixaria a cidade em direção a Ponta Grossa.
Rezamos das sete até sete e meia. Além do Terço e da Ladainha de Nossa Senhora, Jorge foi rezar um pouco diante da urna de D. Bosco. Em seguida, nos despedimos, e combinamos de fazer uma reunião de estudo para sábado.
O fato é inacreditável, num primeiro momento. Ele tinha apenas 51 anos, não aparentando ter problemas de saúde. Não posso deixar de ver a Providência neste evento, sob o risco de que eu caia em desonestidade intelectual ou cegueira espiritual. A minha consciência não me permitiria um absurdo desta natureza. Estou convicto da relação sobrenatural dos eventos.
São João Bosco, mesmo após morto, continua a perpetuar a sua santidade pelo tempo. Posso dizer que talvez a sua urna tenha visitado a cidade só para permitir que uma alma vá para o Céu, pois, se depender da programação da Diocese, teríamos """apresentações artísticas""" deveras inúteis--senão estúpidas--perante a urna de Dom Bosco.
Jorge passou rapidamente pelas nossas vidas. Conheci-o há três semanas. A Providência colocou-o em nosso caminho só para ele ter uma boa morte, uma morte digna da sua vida de estudo e da sua busca incondicional pela verdade? Estou certo que sim.
Nossa Senhora dignou-se dar-lhe uma boa morte, após 53 súplicas da Ave-Maria: rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte.
São estas histórias que me fazem ter a convicção de quem busca sincera e dedicadamente pela verdade, há de encontrá-la. Deus não abandona um filho seu com fome de justiça.
Ademais, o tempo pertence a Deus. Não sabemos qual é a hora de nossa morte, e por isso mesmo Nosso Senhor já advertia de que devemos estar preparados. Ainda que Deus tenha o direito de nos tirar a vida quando bem lhe aprouver, Ele, misericordiosamente, dá-nos sempre a oportunidade de morrermos bem, amparados pela sua graça. Jorge soube corresponder à graça. Quantos e quantos a ignoram! Quantos negam os sinais de Deus que não cessam de perturbá-los, insistindo pela conversão! A conversão é iminente! Amanhã pode ser tarde demais. Que ninguém recuse as chances de Deus para suas criaturas, pois de nada adianta um homem ganhar a vida se vier a perder a sua alma.
Depois deste relato que clama por uma visão sobrenatural dos eventos, peço a todos que incluam em suas orações pelo descanso eterno de Jorge.
Que Nossa Senhora do Carmo continue a interceder por ele.
Ivan Chudzik
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